Agora que estamos em clima de Copa do Mundo, acabamos falando muito dos atletas que jogam nas seleções, e muitas vezes falamos daqueles que estão com mais idade e ainda se mantém bastante ativos e com muita energia. CR7 é um deles, e a mesma pergunta tem chegado ao estúdio repetidas vezes: "Michele, é isso que mantém o Cristiano Ronaldo inteiro depois dos 40?". A curiosidade faz todo o sentido, ainda mais quando a gente olha para alguém jogando futebol em altíssimo nível numa idade em que a maioria já pendurou as chuteiras e quer entender o segredo. A boa notícia é que não é segredo nenhum, e tem tudo a ver com o que fazemos aqui no estúdio.

Aluna praticando Pilates Clássico no estúdio Hera Pilates Menino Deus Porto Alegre
A base de tudo é o centro do corpo: o que o atleta chama de estabilidade, no método clássico a gente chama de casa de força.

O que mantém Cristiano Ronaldo inteiro depois dos 40?

Ronaldo é hoje provavelmente o exemplo mais estudado de longevidade no esporte, e por bons motivos. Em 2025, os dados do monitor WHOOP estimaram a idade biológica dele em torno de 28 anos, mais de uma década abaixo da idade real. Isso não caiu do céu, e ele mesmo faz questão de dizer que não é só genética: é método, disciplina e cuidado diário com o corpo.

Quando a gente olha o que está documentado sobre a rotina dele, o que ele contou em entrevistas como a do podcast da WHOOP e o que a imprensa esportiva séria acompanha, alguns pilares se repetem:

  • Recuperação tratada como parte do treino. Para ele, descanso não é enfeite. A regra que repete é simples: quem treina duas horas precisa recuperar na mesma proporção.
  • Sono como ferramenta número um. Ele chama o sono do recurso mais importante que tem e prioriza dormir e acordar sempre nos mesmos horários.
  • Trabalho de centro e de tronco. Boa parte da força dele é dedicada ao core e às costas, com exercícios que fortalecem o tronco sem sobrecarregar as articulações.
  • Mobilidade e prevenção de lesões. Aos 40 e poucos, ele deslocou o foco de bater recordes na academia para se manter disponível: mobilidade, qualidade de movimento e menos lesão.
  • Consistência acima de intensidade. O recado dele cabe numa frase: aparecer todo dia, mesmo quando bate a preguiça.

Guarde essa lista, porque ela é a chave de tudo o que vem a seguir.

Onde o Pilates entra nessa conversa

Olhe de novo aqueles pilares: centro do corpo forte, mobilidade preservada, prevenção de lesão, controle de movimento, recuperação levada a sério. Agora leia a definição do que o Pilates treina, e você vai reparar que são quase as mesmas palavras.

No método clássico, a região central do corpo, que reúne abdome, lombar, quadril e assoalho pélvico, é o que chamamos de casa de força. É dela que todo movimento parte, e é ela que sustenta a coluna quando você corre, senta, levanta um peso ou simplesmente passa horas em pé. Fortalecer esse centro, devolver mobilidade ao quadril e à coluna e ensinar o corpo a se mexer com controle é o coração do método.

É por isso que os princípios que mantêm o Ronaldo jogando aos 41 são os mesmos que o Pilates organiza num método há mais de um século. Ele chegou lá com uma estrutura milionária de preparadores, nutricionistas e aparato de recuperação. A melhor parte? A lógica por trás disso não custa uma fortuna nem é exclusiva de atleta: cabe numa aula de Pilates bem conduzida.

Os atletas que fazem Pilates

E não são só os princípios que ligam o esporte de elite ao método. Vários dos maiores nomes do mundo fazem Pilates, e falam abertamente sobre isso.

Andy Murray, um dos maiores tenistas da história, recorreu ao Pilates para se recuperar de uma cirurgia nas costas e voltar ao circuito. Em 2015, o Wall Street Journal noticiou como ele fez do método uma peça central dessa volta, a ponto de a própria reportagem tratar o Pilates como o núcleo da recuperação dele. Para o Murray, aquilo nunca foi um acessório no treino; era parte da reconstrução.

LeBron James, aos 41 anos e na 23ª temporada da NBA, é talvez o caso mais eloquente. Num perfil da revista Time em 2026, ele detalhou a rotina de recuperação que o mantém em quadra e colocou o Pilates, ao lado do yoga e do trabalho de mobilidade, como um dos pilares da própria longevidade. Um atleta que investe pesado para durar escolheu o Pilates como uma das peças centrais, e disse isso em alto e bom som.

Quando dois dos corpos mais bem cuidados do esporte mundial apontam para o mesmo método, dá para parar de tratar o Pilates como "aula de alongamento" e começar a olhar para o que ele realmente é: uma das ferramentas mais completas para construir um corpo que dura.

Aluna executando exercício de mat do Pilates Clássico em posição de Teaser, no estúdio Hera no Menino Deus, em Porto Alegre
No método clássico dá para calibrar carga e amplitude com precisão, e é por isso que ele serve tanto para o atleta quanto para quem passa o dia sentado.

O que a ciência mostra sobre o Pilates

Aqui eu preciso enfatizar que nem tudo que se fala por aí sobre Pilates tem respaldo, mas o que importa de verdade tem. E não estou falando como quem vende aula.

Revisões científicas recentes mostram que a prática regular fortalece o centro do corpo, corrige a postura e reduz o risco de lesões ligadas a desequilíbrios musculares e à má postura. A respeitada Cleveland Clinic descreve o Pilates como um trabalho que fortalece o tronco inteiro, do abdome às laterais, lombar, glúteos e quadril, melhora o equilíbrio e afina a percepção do corpo no espaço, o que os fisioterapeutas chamam de propriocepção. Já o NHS, serviço público de saúde britânico, descreve o método como uma prática voltada para equilíbrio, postura, força e flexibilidade, e reconhece haver evidência de que ele ajuda na dor lombar.

Repare que essa lista conversa direto com os pilares do Ronaldo e com o que Murray e LeBron foram buscar: centro forte, mobilidade, controle, prevenção. Por isso tantos médicos e fisioterapeutas hoje incluem o Pilates no plano de cuidado dos seus pacientes. Se você quiser entender como o método atua especificamente na coluna, já escrevi um artigo completo sobre isso: Pilates e dor nas costas: entenda a relação e como resolver de verdade.

Você não precisa ser atleta para colher isso

E é aqui que a conversa fica interessante para você, que talvez nunca tenha chutado uma bola na vida. Os benefícios que fazem um jogador durar mais são os mesmos que salvam quem passa o dia inteiro sentado na frente do computador.

Pensa no core que sustenta o salto do LeBron: é o mesmo grupo muscular que evita que a sua lombar trave quando você levanta do sofá. A mobilidade que mantém o Ronaldo driblando aos 41 é a que te deixa amarrar o tênis sem soltar um gemido. Muda a intensidade e muda o objetivo, claro, mas o corpo por baixo funciona igual, e o método se molda a quem você é hoje.

É aí, inclusive, que mora a maior vantagem do Pilates para quem não é atleta: ele encontra você onde você está. Num estúdio, com os aparelhos clássicos, dá para ajustar carga, amplitude e apoio para o corpo de quem nunca treinou, de quem chega com uma dor específica ou de quem já treina e quer se mexer com mais qualidade. É o mesmo método, calibrado para a sua realidade.

Como dar o primeiro passo

Se essa conversa fez sentido para você, imagino que não seja por causa de um contrato com o Al-Nassr ou algum outro grande time, e sim pela vontade de chegar aos 40, 50, 60 anos com um corpo que ainda responde, está forte, possui vitalidade e energia. E a melhor notícia é que começar é mais simples do que parece: você não precisa ser flexível nem estar em forma. Como falei lá no começo, quem se adapta é o método. E quanto antes começar, melhor serão os resultados ao longo do tempo.

Aqui no Hera Pilates Clássico, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, trabalhamos com turmas reduzidas e atenção individual, com instrutores que são fisioterapeutas e formados no método original, além de dominarem o conjunto completo de aparelhos clássicos. É esse cuidado que transforma uma sequência qualquer de exercícios num trabalho que realmente protege o seu corpo a longo prazo. E a melhor forma de saber se o Pilates é para você é sentir, no seu próprio corpo, a diferença que o movimento certo faz.

📍 Agende sua primeira aula no Hera Pilates Clássico. Estamos no bairro Menino Deus, em Porto Alegre!

Fontes

Dados e declarações citados neste artigo:

  • WHOOP Podcast, episódio 324 (maio de 2025). Cristiano Ronaldo's Secrets to Longevity and Peak Performance: o próprio Ronaldo sobre recuperação, sono, disciplina e a idade biológica de 28,9 anos. Disponível em: whoop.com
  • Sports Illustrated. Cristiano Ronaldo Reveals Stunning Biological Age: cobertura da idade biológica de 28,9 anos revelada em parceria com a WHOOP. Disponível em: si.com
  • beIN Sports. Cristiano Ronaldo and the secret behind his longevity: detalhes da rotina de treino aos 41, com trabalho de core e tronco e prevenção de lesões. Disponível em: beinsports.com
  • Perrotta, T. (2015). Andy Murray Makes Pilates Core to His Comeback. The Wall Street Journal: o Pilates no centro da recuperação da cirurgia nas costas. Disponível em: wsj.com
  • TIME (2026). Perfil de longevidade de LeBron James: yoga e Pilates como pilares da recuperação aos 41 anos. Disponível em: time.com
  • Effects of Pilates exercises on spine deformities and posture: a systematic review. Revisão sistemática sobre força do core, postura e prevenção de lesões ligadas a desequilíbrios musculares. Disponível em: ncbi.nlm.nih.gov
  • Cleveland Clinic. Pilates 101: What It Is and Its Health Benefits: fortalecimento do tronco, equilíbrio, propriocepção e prevenção de lesões. Disponível em: health.clevelandclinic.org
  • NHS. Pilates (nhs.uk, seção Live Well / Exercise): equilíbrio, postura, força e flexibilidade, com evidência preliminar para dor lombar. Disponível em: nhs.uk